EUA veem melhora na relação com o Brasil

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A relação entre Brasil e EUA passa por um momento difícil, “o que não é segredo para ninguém”, mas a situação está melhorando no âmbito governamental, disse ontem a secretária-assistente para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, Roberta Jacobson. Ela destacou que o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, irá ao Brasil para assistir a um dos jogos do país na Copa do Mundo, e vai se encontrar com a presidente Dilma Rousseff na ocasião.

Na semana passada, em Nova York, Roberta já dissera que Biden esperava falar com Dilma durante a Copa, lembrando que os dois conversaram em Santiago, em março, na posse da presidente Michelle Bachelet. Em 2013, Dilma adiou uma visita de Estado aos EUA agendada para outubro, devido às denúncias de que fora espionada pelo governo americano.

“Acho que o ritmo de engajamento num nível mais elevado vai ganhar terreno”, disse Roberta, observando que deverá haver uma “pausa” em virtude das eleições brasileiras marcadas para outubro deste ano. O encontro de Dilma com Biden deverá ser mais um passo na lenta reaproximação entre os dois países. Em março, o secretário do Tesouro, Jacob Lew, esteve no Brasil, na primeira viagem ao país de uma figura de alto escalão do governo americano depois do adiamento da visita de Estado.

Ao participar ontem da 44ª Conferência sobre as Américas, Roberta disse que muito continua a acontecer todos os dias entre os dois países, “mesmo quando as manchetes dizem que as relações entre Brasil e EUA congelaram”. Ela lembrou ainda que o Brasil é um dos dois países onde os EUA estão abrindo consulados – o outro é a China. Segundo ela, os EUA terão uma presença crescente no Brasil com os consulados em Belo Horizonte e Porto Alegre.

Também presente ao evento, o secretário de Estado, John Kerry, criticou a Venezuela, dizendo-se preocupado com a piora da situação no país e manifestando apoio à iniciativa da Unasul de tentar promover o diálogo entre o governo e a oposição. Kerry também afirmou que o México é um parceiro valioso. O Brasil, por sua vez, não foi mencionado diretamente nenhuma vez. Ele citou de passagem a Copa, lembrando que viu a taça há algumas semanas, em Washington, e que não deve revê-la tão cedo, porque os EUA caíram num grupo difícil. Ele brincou que gostaria de contar com os serviços do argentino Lionel Messi em junho.

Fonte: Valor Econômico